A escrita é um processo solitário, mas precisa ser sempre assim?
Escrever, por si só, já lembra um pouco a solidão, né? Sentar em um lugar quieto e silencioso, com uma bebida quente, uma roupa bem confortável, e então começar a falar através das palavras. Na minha visão, o processo de escrever um livro precisa, sim, ser silencioso e solitário. Nós precisamos de foco, concentração, sem qualquer tipo de distração. Precisamos da nossa mente 100% concentrada em escrever e dar o melhor dela. Às vezes, essa concentração pode vir através de escutar uma música enquanto escreve, ou de outras técnicas existentes. Mas o ponto é que precisamos nos desligar do mundo real, para entrarmos no mundo criado por nós. Na nossa imaginação. Para conseguirmos a melhor história possível, precisamos estar dentro dela, precisamos ser um escritor, mas também viver a história. E a solidão nos ajuda a entrar no mundo fictício.
Agora, quando terminamos de escrever, partimos para a revisão e o processo para publicação — não deve ser, de forma alguma, solitário. Porque, acredite, falo por experiência própria: você vai surtar. Nesse processo, queremos apagar tudo e recomeçar, achamos que nosso trabalho inteiro está ruim e que somos horríveis. Nós nos sentimos sozinhos.
Por isso, precisamos ter pessoas — sejam amigos, família ou outros escritores — nos auxiliando, dando apoio e acreditando no nosso trabalho, mesmo quando não acreditamos. Se não tivermos esse alguém, as chances de desistirmos são grandes. Precisamos de uma âncora (alguém) que nos puxe de volta ao barco (nosso livro), quando estamos nadando na correnteza (pensando em desistir).
Então, a escrita é, sim, um processo solitário. E talvez ela deva ser assim. Agora, o processo? Deve ter união. União de pessoas que têm o mesmo objetivo e estarão juntas, para que, quando um pensar em desistir, a outra pessoa possa dar um cascudo e dizer: "Você não pode, ou o mundo vai perder a sua história.”

